me.lancolialaranjada

imprevisibilidades de um liquidificador (…)

Nada – Carmen Laforet (1942)

(eu garimpando uma leitura daquelas no paço, sem muita esperança e/ou pique,  fazia um calor e a biblioteca estava lotada, assim, quase desistindo e partindo para as gazetas mesmo, me deparei com uma capa encantadora e um título daqueles que eu adoro) segue então uma leitura que vai para a estante das preferidas:

angústia, solidão, partições, escadas, escuridão,  poeira, pedaços (…) – Nada

Andrea chega a rua Aribal, vinda do interior a procura de uma Barcelona ‘florida’ (criada em sua mente por uma juventude insaciada),

se depara com uma realidade que, por ela mesmo de repente percebida, não cabe em suas lembranças pré imaginadas.

[espanto] recebida por ruelas (ainda cheias de segredos), por um pós guerra, desconhecidos e uma bagagem a ser construída, de amadurecimento, problemas, fragmentações familiares, solidão (enfim)

“O odor peculiar, o burburinho das pessoas, as luzes sempre tristes tinham para mim um grande encanto que envolvia todas as minhas impressões no deslumbramento de ter chegado, afinal, à cidade grande que eu, por não conhecer, adorava em sonhos.”

- romance escrito por Carmen Laforet em seus 23 anos, logo um clássico da literatura espanhola ..

p.s.: quero ler a versão original em espanhol mimimi (e tê-la, é claro)

no(sun)day

leminski na Bravo! durante umas horas na poltrona do brooklyn ouvindo the smiths, uma prévia para de repente marchinhas com garibaldis e sacis no largo, máscaras, muitos fermentados, animação (domingo atípico para um curitibano). e mais, Mario, o poeta (leia mais em algum próximo post).

amarena

amarena brisante ao voo da gaivota que acompanha, acompanha a vontade da maré salgada em contraste ao iogurte, em contraste ao que não-se-quer-é-dito, em sintonia ao-que-é-sentido.

o que, sentido?

 

leite humano

o mar da partida estava mais infinito do que de costume, no duro.

eu me enrolava, estacionada em frente a casinha de minha mãe;

ela em pé – me olhando – eu esperando (esperando o que?)

eu que nunca aturava com paciência aqueles discursos de mãe quando estamos de saída (em tchau);

agora implorava inconscientemente por mais algumas palavras ..

mas tudo já tinha sido dito.

eu, ali presa por alguns segundos que impulsionariam uma mudança de ideia.

algo que me desse tempo de pensar, como as palavras da mamãe.

[tudo-em-pausa]

mas fui.

melissas noturnas numa bucólica vibração vintage de flores e azul com um toque de sangue em um noite de verão;

dilema do amanhecer parte 2

são minutos que demoram e demoram
parecem os mais longos quando se quer ver luz
mas são os mais rápidos se tratando de percepções.
demora e demoram
mas quando chegam, mal se vê de tão brevíssimos.
enquanto isso
a cada brecha de paisagem urbana, um horizonte mais claro, distante.
a cada desinterrupção de blocos de concreto – uma nuvem mais clara.
a cada poste aceso, logo uma despedida.
e os velhos gatos rumo ao leitinho.
e a constante rotina só se repete (redundância proposital)
” e o limite é zero”

até a manhã

música em bri a gan te

(coreografia digníssima também)

p.s.: pré dorgas  lollapalooza

gogolbordello e afins

like a dorgas; na verdade, – a felicidade de um despertar dançante sem compromissos ou padrões ou etc. mas ok, tive que ir lavar a louça depois disso.

clicks aleatórios

café turco, babasalim, chocolatinhos lindos, orange hair, sushi, cafezinho, macadâmias, passas, charutinhos .. mimimi

lavoura arcaica

(livro de Raduan Nassar, filme de Luis Fernando Carvalho –  também diretor de ‘Capitu” – daí mais um encanto)

- da partida ao retorno;

tão tão teatral; mais um nacional que me surpreende.
esse ‘teatrismo’ que não existe em nenhum outro lugar do mundo, só aqui, aqui onde o filme não chegou as salas de cinema por sua
‘longa duração, suas longas cenas não faladas, suas temáticas abstratas’ e tudo o que público comum cai no sono; mas meldels!

– quanto ao livro (já está na minha lista)

“cem páginas para serem lidas sem respirar, não procure parágrafo nem muitos pontos finais,
pois André está no fim da linha de seus pensamentos, no meio do nada, no meio do mato,
em meio a angustiante e complexo amor.”

- e a fotografia (esse é sempre o ponto alto das minhas observações)

daquelas que diz mais que a própria atuação, do que é dito com palavras; fotografia que captura expressões
sombrias, revoltas,
captura reminiscências, infância, momentos, casa velha, pombinhos,
e os pequenos prazeres dos pés em palha rs
e as tradições libanesas da família em minas,
as ovelhas,
as músicas árabes, a mãe tão carinhosa, cachinhos, raios e flares;


não sou lá uma crítica literária/cine (longe disso), mas considero lavourarcaica um dos meus melhores filmes nacionais já assistido;
não vou recomendá-lo a qualquer um, a menos que tenha certeza de alguma sensibilidade peculiar ao meio social
ou ao menos um respectivo interesse cult em dignidade cinematográfica.

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